Um mergulho no universo dos super-ricos brasileiros revela os códigos e costumes que definem seu status social. Do luxo extravagante à obsessão pela magreza e às viagens constantes, certos elementos se destacam como pilares dessa distinção.
Um antropólogo, que se dedicou a estudar a fundo esse grupo seleto a partir de 2010, compartilha suas descobertas, revelando os obstáculos enfrentados para acessar esse mundo reservado. A atenção aos detalhes, como a etiqueta impecável e o conhecimento sobre vinhos, foram cruciais para conquistar a confiança e o acesso aos endinheirados.
A pesquisa demonstra que a riqueza não é um conceito homogêneo, mesmo dentro da elite. Uma história ilustra essa disparidade: um casal com filhas em escola bilíngue e possuidor de múltiplas propriedades se considera “pobre” diante de um convite para uma festa de 15 anos com jatinho particular e evento em um triplex em Nova York.
O antropólogo aponta três características que unem os ricos brasileiros: a paixão por bens de luxo, o fascínio pelo emagrecimento e o hábito de viajar constantemente. O Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, com suas disputadas salas VIP, exemplifica essa busca incessante por experiências exclusivas e diferenciadas.
A perda de status financeiro também é abordada, revelando o drama do “falido” que se agarra a símbolos de riqueza, como a mensalidade do Iate Clube, para manter a aparência e a sensação de pertencimento.
A ostentação, segundo o antropólogo, é uma forma de comunicar superioridade de classe, presente em diferentes níveis, desde os mais extravagantes até os mais sutis. Todos ostentam, mesmo aqueles que aparentam discrição.
A curiosidade sobre a vida dos ricos é grande, e o antropólogo se surpreendeu com o interesse dos brasileiros nesse tema. Ele ressalta a escassez de estudos nacionais sobre o assunto, o que o levou a buscar referências na literatura estrangeira. Ao contrário de outros países, onde há uma visão crítica sobre a riqueza, no Brasil existe uma crença latente de que todos podem ascender socialmente e desfrutar do mesmo estilo de vida.
Fonte: g1.globo.com
