Entre a noite de quarta-feira, 31 de janeiro, e a manhã de quinta-feira, 1º de fevereiro, as praias de Copacabana e Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, foram palco de um número alarmante de salvamentos. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) registrou impressionantes 547 resgates apenas nessas localidades, um volume significativamente superior ao observado na virada de 2024 para 2025, quando ocorreram 29 salvamentos. Esse aumento dramático nos atendimentos é atribuído principalmente à forte ressaca no Rio, com ondas de até 2,5 metros, agravada pela imprudência de banhistas que, em meio ao calor intenso, ignoraram os alertas e as sinalizações de segurança, expondo-se a riscos desnecessários em um dos períodos mais movimentados do ano.
Onda de salvamentos e desafios do réveillon
O impacto da ressaca e a imprudência dos banhistas
O período festivo de transição entre anos trouxe consigo uma série de desafios para as equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros. No total, a Operação Réveillon da corporação registrou 840 atendimentos em todo o estado do Rio de Janeiro, um número expressivo que reflete as condições adversas do mar e a grande afluência de público. O porta-voz dos Bombeiros, tenente-coronel Fábio Contreiras, ressaltou que a presença de uma forte ressaca, caracterizada por ondas que atingiam até 2,5 metros de altura, foi o fator preponderante para o aumento exponencial de incidentes nas praias.
Apesar dos alertas emitidos pela Marinha e pela Defesa Civil sobre a manutenção da ressaca, muitos banhistas optaram por desconsiderar as recomendações. Em um dia de calor intenso, a busca por alívio no mar levou inúmeras pessoas a ignorarem as orientações dos guarda-vidas e as bandeiras de sinalização de perigo. O tenente-coronel Contreiras destacou que, mesmo após os apitos dos profissionais indicando o risco, muitos insistiam em entrar na água, resultando em situações de afogamento. As operações de resgate foram complexas, envolvendo o uso de helicópteros para retiradas rápidas, motos aquáticas para aproximações seguras e a ação direta dos guarda-vidas, que retiraram as vítimas das águas agitadas. O militar enfatizou a direta relação entre o descumprimento das normas de segurança e o elevado número de ocorrências, mencionando a conjunção de forte calor, ressaca e a inobservância por parte dos frequentadores da praia. Ele havia, inclusive, alertado nos dias anteriores para que as pessoas não cumprissem a tradição de pular sete ondas, devido à força incomum do mar que levava as águas muito perto dos palcos de réveillon.
A busca incessante por um jovem desaparecido
Um dos incidentes mais dramáticos dessa onda de ressaca foi o desaparecimento de um jovem de 14 anos, oriundo de Campinas, São Paulo. Ele foi levado pela correnteza na arrebentação na manhã da quarta-feira, 31 de dezembro. Desde então, o Corpo de Bombeiros tem mobilizado uma força-tarefa robusta para localizá-lo. A operação de busca conta com mergulhadores, motos aquáticas que realizam varreduras na área onde o jovem foi visto pela última vez, um barco inflável equipado com sonar capaz de mapear o fundo do mar, helicópteros ao longo da costa e drones que sobrevoam a orla. A família do jovem acompanha as buscas, vivenciando a angústia da espera. Os trabalhos são ininterruptos, estendendo-se por manhã, tarde, noite e madrugada, com o compromisso da corporação de não parar até que o rapaz seja encontrado, para oferecer um desfecho à família, mesmo que sem vida.
Risco persistente e orientações de segurança
Perigos das correntes de retorno e valas
As condições do mar permanecem desafiadoras, demandando a continuidade dos cuidados por parte dos bombeiros. O tenente-coronel Fábio Contreiras alertou que a ondulação forte e a alta energia do mar persistem. Além da ressaca, a presença de valas e correntes de retorno ativadas, juntamente com fatores como a maré e o vento, favorecem a ocorrência de afogamentos. Ele ressaltou que ondas fortes podem derrubar pessoas mesmo na beira da praia e arrastá-las para o fundo, sendo um tipo de afogamento que pode surpreender especialmente crianças e idosos. A orientação primordial é que, até o próximo domingo, todos que se dirigirem às praias obedeçam rigorosamente às cores das bandeiras fincadas na areia. A bandeira vermelha, em particular, indica que o local não é apropriado para banho, sendo um sinal de perigo extremo que deve ser respeitado incondicionalmente.
Preocupação com crianças perdidas e banhos noturnos
Além dos afogamentos, outro ponto de preocupação significativo para os bombeiros é o elevado número de crianças perdidas nas praias. No ano de 2025, foram mais de 3.300 casos em todo o estado. Somente entre a noite de quarta e a manhã de quinta-feira, 35 crianças se extraviaram nas praias do Rio. Para evitar essa situação angustiante, o porta-voz orientou que os responsáveis utilizem pulseiras de identificação Ele também ressaltou a importância de não se distrair com conversas paralelas, celulares ou o consumo excessivo de álcool, e de manter as crianças sempre à vista, a uma distância máxima de um metro na água, para não as perder de vista.
Outro alerta crucial da Operação Verão é sobre os banhos noturnos. Banhos noturnos são considerados mais perigosos e letais devido à baixa visibilidade, onde diversos fatores facilitam os afogamentos. Os alertas para evitá-los são feitos inclusive por drones que emitem mensagens sonoras, buscando conscientizar a população sobre os riscos inerentes a essas práticas.
Operação verão intensifica vigilância nas praias
Desde 19 de dezembro, quando foi percebido o aumento no fluxo de banhistas nas praias do estado, o Corpo de Bombeiros ativou a Operação Verão em todo o estado. Esta iniciativa visa reforçar a segurança nas praias, com o aumento do efetivo de guarda-vidas e a instalação de novos postos. Houve um significativo incremento de mais de 5.400 novas vagas de guarda-vidas em serviço adicional e escala extra, superando as 3.500 vagas abertas no ano anterior. Esse reforço de homens e mulheres nas areias do estado busca garantir uma cobertura mais ampla e eficaz.
Adicionalmente, a corporação está operando com 38 postos móveis. Estes trailers podem ser estrategicamente deslocados para praias mais distantes ou que tradicionalmente não contam com atendimento fixo, expandindo a capacidade de resposta e prevenção. A tecnologia também é aliada na Operação Verão, com a utilização de drones para emitir alertas sonoros aos banhistas sobre condições perigosas e a importância de seguir as normas de segurança. A conscientização e a vigilância contínua são pilares para minimizar os riscos de acidentes em um litoral tão frequentado e garantir que a população desfrute das praias com a máxima segurança possível.
Conclusão
A recente onda de salvamentos nas praias cariocas durante o réveillon serve como um alerta contundente sobre os perigos da ressaca e a importância inegável da prudência. O trabalho incansável do Corpo de Bombeiros, com o reforço da Operação Verão e a utilização de tecnologias como drones e sonares, é fundamental para a segurança dos frequentadores. No entanto, a eficácia desses esforços depende diretamente da colaboração e da conscientização de cada banhista. Respeitar as sinalizações, seguir as orientações dos guarda-vidas e adotar medidas preventivas, especialmente em relação a crianças e banhos noturnos, são atitudes cruciais para garantir um verão seguro e evitar que momentos de lazer se transformem em tragédias. A segurança no mar é responsabilidade coletiva.
Perguntas frequentes
Quantos salvamentos foram realizados nas praias do Rio durante o réveillon?
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro registrou 547 salvamentos nas praias de Copacabana e Leme entre a noite de 31 de dezembro e a manhã de 1º de janeiro. Em todo o estado, foram 840 atendimentos na Operação Réveillon.
Qual a principal causa do aumento de afogamentos nesse período?
A principal causa foi a forte ressaca do mar, com ondas de até 2,5 metros, combinada com o calor intenso e a imprudência de muitos banhistas que ignoraram os alertas dos guarda-vidas e as bandeiras de sinalização de perigo.
O que é a Operação Verão e como ela contribui para a segurança?
A Operação Verão é uma iniciativa do Corpo de Bombeiros, iniciada em 19 de dezembro, que reforça a segurança nas praias do estado. Ela aumenta o número de guarda-vidas , instala novos postos fixos e móveis, e utiliza drones para emitir alertas sonoros, visando prevenir afogamentos e outros incidentes.
Quais são as principais recomendações dos bombeiros para a segurança nas praias?
É crucial obedecer às cores das bandeiras (evitar locais com bandeira vermelha), seguir as orientações dos guarda-vidas, não se distrair com celulares ou bebidas alcoólicas, manter crianças sempre à vista e, se possível, com pulseiras de identificação, e evitar banhos noturnos devido à baixa visibilidade e perigos adicionais.
Para sua segurança e a de sua família, siga sempre as recomendações dos guarda-vidas e as sinalizações nas praias. Mantenha-se informado sobre as condições do mar e contribua para um verão mais seguro para todos.
