Um mapeamento realizado pela organização SaferNet Brasil revelou a identificação de 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados brasileiros. Esses dados foram divulgados durante um evento em celebração ao Dia da Internet Segura, em São Paulo.
Deepfakes sexuais e violação de privacidade
As deepfakes sexuais consistem em imagens ou vídeos de nudez criados através de inteligência artificial generativa, sem o consentimento das pessoas retratadas. Essa tecnologia é utilizada para manipular o rosto das vítimas em conteúdos falsos, o que configura uma violação grave de privacidade e da dignidade humana.
Perfil das vítimas e levantamento por estado
Segundo a pesquisadora da SaferNet Brasil, Sofia Schuring, todas as 173 vítimas identificadas são mulheres, incluindo alunas e professoras. O estado de São Paulo lidera o número de ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso (30), Pernambuco (30) e Rio de Janeiro (20). O levantamento também apontou a identificação de 60 autores desses crimes.
Central de Denúncias e atuação criminosa
Além do mapeamento por notícias, a SaferNet opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que desde 2023 recebeu 264 links relacionados a esse tipo de crime. Oito por cento desses links continham conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil, enquanto outros casos envolviam deepfakes com adultos e vazamento de imagens íntimas reais.
Atuação criminosa e medidas de combate
Os grupos que compartilham deepfakes sexuais operam de forma organizada, fundamentados em bots de notificação, plataformas de mensagens como o Telegram e fóruns na dark web. A SaferNet destaca a importância do banimento das ferramentas de notificação e a 'asfixia financeira' dessas redes criminosas para combater esse tipo de crime.
Como denunciar crimes cibernéticos
Denúncias sobre crimes cibernéticos, incluindo abuso sexual infantil e crimes de ódio, podem ser feitas de forma anônima pela Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil. É essencial que a sociedade esteja atenta e atue de forma colaborativa para combater essa prática criminosa e proteger as vítimas de deepfakes sexuais.
